Eu estava me preparando para
escrever sobre alguns bons CDs que tenho ouvido (compulsivamente, diga-se de
passagem) nesse comecinho de semana. Eis que no caminho me deparo com o novo
clipe de Ingrid Michaelson... e parei. Ok, eu preciso lhe dar uma deixa se você
não sabe quem é Ingrid Michaelson, porque eu também precisei “dar um Google”
pra descobrir um pouquinho mais sobre essa cantora e compositora nova iorquina
que tem marcado presença constante nas trilhas de algumas séries de TVs grandes
como Grey’s Anatomy e One Tree Hill. Passado esse primeiro momento de
reconhecimento, convido-os a assistirem ao dito cujo vídeo de Blood Brothers
logo abaixo.
Pronto! Agora, os visitantes mais
assíduos desse blog já devem ter percebido o que me chamou a atenção no tal
clipe de Michaelson. E sim, foram as referências a outros artistas. Mais que
referências, ela se traveste de grandes nomes da música pop, numa perspicácia
que eu só tinha visto num apaixonante clipe do Kaiser Chiefs (aqui). Em menos
de três minutos, Ingrid tem a pachorra de viver a vida de Madonna, John Lennon,
Lady Gaga, Gene Simmons, Amy Winehouse, Beyoncé e David Bowie. Impossível negar
a centralidade que todas essas figuras tem/tiveram para a música pop e como
elas moldaram o mundo musical em que vivemos hoje.
Mais que isso, é fabuloso
perceber que essas figuras são tão icônicas que as reconhecemos a partir de um
corte de cabelo, de uma maquiagem específica ou de uma determinada tatuagem.
Sei que não é a primeira vez que falo isso aqui, o quão importante são essas
figuras para a música, e não só porque tiveram o merecido sucesso em suas
carreiras, mas porque conseguiram mexer com o mundo da música de modo que ele
nunca mais fosse ser o mesmo. O que mais justificaria que uma cantora de
folk/country como Ingrid Michaelson citasse uma gama de artistas que passeiam
de Beyoncé a Simmons (não é preciso dizer o quão distantes estão os trabalhos
de ambos).
De certa forma um tanto torta,
isso me trouxe exatamente de volta ao assunto inicial que eu iria tratar aqui,
embora dessa vez com menos fôlego. Por quê? Ora, porque mesmo já tento ouvido
Ingrid Michaelson uma penca de vezes em alguns episódios que eu assisti (e de a
sua música já ter me emocionado uma ou outra vez, associada a um bom roteiro
inegável), assistir a Blood Brothers, e ter essa sacada sobre a iconicidade
(incorruptível pelo tempo, como a presença de Madonna, Lennon ou Bowie deixam
transparecer) me deu o impulso necessário para me aprofundar na vida dessa
artista, buscar seus discos e – quem sabe – me tornar um verdadeiro fã.
Isso me lembra exatamente o
contexto pelo qual, em geral, conhecemos um novo artista. Exatamente dessa
forma, ouvindo uma boa música (em geral junto de seu trailer) e partindo em
busca de mais e mais coisas legais. Foi assim que conheci Gotye, por exemplo.
Seu single máximo, Somebody That I Used To Know, fez tanto sucesso
internacionalmente, que me deixou curioso por uma olhada. Foi o suficiente para
que o pop indie surreal de Gotye me fisgasse, a ponto de Making Mirrors, seu
último CD (muito mais variado do que Somebody deixa transparecer – diga-se pelos
arroubos de reggae ou de jazz que surgem do nada no meio do álbum) ficasse
ligado no play ininterrupto no meu cérebro.
Gotye só para, quando entra outro
álbum tão maravilhoso quanto o dele: o disco de estreia de Birdy, a inglesinha
que tem chamado atenção das principais antenas musicais do mundo todo, e me
chegou as mãos por indicação de um amigo, que me mandou o link de 1901. Como
não se render aquele piano e como não ir atrás do disco homônimo só para
descobrir outras preciosidades tão boas quanto Shelter ou Comforting Sounds (talvez
a música mais profunda que eu ouvi esse ano)?
Da lista de discos que tenho
ouvido no momento, de modo viciante, só um fica de fora dessa lógica. É o
elogiado e aguardado Old Ideias de Leonard Cohen, que eu “corri atrás” não por
ter ouvido uma primeira música extremamente sedutora, mas por ter lido, uma
atrás da outra, uma dúzia de críticas positivas sobre o álbum. E devo dizer,
fazem juz a toda a expectativa que construíram em cima dele. Mas talvez seja
melhor deixar o disco de Cohen para um outro momento mais propício. Por ora,
vale apresenta-los a genialidade de Ingrid Michaelson, Gotye e Birdy. E talvez
apenas essas boas músicas sejam o rastro capaz de instiga-los a buscar mais
sobre esses artistas fascinantes menos radiofônicos.

