ingrid michaelson; gotye e birdy!

quarta-feira, 23 de maio de 2012 - Postado por Paulo Veras às 00:00

Eu estava me preparando para escrever sobre alguns bons CDs que tenho ouvido (compulsivamente, diga-se de passagem) nesse comecinho de semana. Eis que no caminho me deparo com o novo clipe de Ingrid Michaelson... e parei. Ok, eu preciso lhe dar uma deixa se você não sabe quem é Ingrid Michaelson, porque eu também precisei “dar um Google” pra descobrir um pouquinho mais sobre essa cantora e compositora nova iorquina que tem marcado presença constante nas trilhas de algumas séries de TVs grandes como Grey’s Anatomy e One Tree Hill. Passado esse primeiro momento de reconhecimento, convido-os a assistirem ao dito cujo vídeo de Blood Brothers logo abaixo.



Pronto! Agora, os visitantes mais assíduos desse blog já devem ter percebido o que me chamou a atenção no tal clipe de Michaelson. E sim, foram as referências a outros artistas. Mais que referências, ela se traveste de grandes nomes da música pop, numa perspicácia que eu só tinha visto num apaixonante clipe do Kaiser Chiefs (aqui). Em menos de três minutos, Ingrid tem a pachorra de viver a vida de Madonna, John Lennon, Lady Gaga, Gene Simmons, Amy Winehouse, Beyoncé e David Bowie. Impossível negar a centralidade que todas essas figuras tem/tiveram para a música pop e como elas moldaram o mundo musical em que vivemos hoje.
Mais que isso, é fabuloso perceber que essas figuras são tão icônicas que as reconhecemos a partir de um corte de cabelo, de uma maquiagem específica ou de uma determinada tatuagem. Sei que não é a primeira vez que falo isso aqui, o quão importante são essas figuras para a música, e não só porque tiveram o merecido sucesso em suas carreiras, mas porque conseguiram mexer com o mundo da música de modo que ele nunca mais fosse ser o mesmo. O que mais justificaria que uma cantora de folk/country como Ingrid Michaelson citasse uma gama de artistas que passeiam de Beyoncé a Simmons (não é preciso dizer o quão distantes estão os trabalhos de ambos).
De certa forma um tanto torta, isso me trouxe exatamente de volta ao assunto inicial que eu iria tratar aqui, embora dessa vez com menos fôlego. Por quê? Ora, porque mesmo já tento ouvido Ingrid Michaelson uma penca de vezes em alguns episódios que eu assisti (e de a sua música já ter me emocionado uma ou outra vez, associada a um bom roteiro inegável), assistir a Blood Brothers, e ter essa sacada sobre a iconicidade (incorruptível pelo tempo, como a presença de Madonna, Lennon ou Bowie deixam transparecer) me deu o impulso necessário para me aprofundar na vida dessa artista, buscar seus discos e – quem sabe – me tornar um verdadeiro fã.



Isso me lembra exatamente o contexto pelo qual, em geral, conhecemos um novo artista. Exatamente dessa forma, ouvindo uma boa música (em geral junto de seu trailer) e partindo em busca de mais e mais coisas legais. Foi assim que conheci Gotye, por exemplo. Seu single máximo, Somebody That I Used To Know, fez tanto sucesso internacionalmente, que me deixou curioso por uma olhada. Foi o suficiente para que o pop indie surreal de Gotye me fisgasse, a ponto de Making Mirrors, seu último CD (muito mais variado do que Somebody deixa transparecer – diga-se pelos arroubos de reggae ou de jazz que surgem do nada no meio do álbum) ficasse ligado no play ininterrupto no meu cérebro.



Gotye só para, quando entra outro álbum tão maravilhoso quanto o dele: o disco de estreia de Birdy, a inglesinha que tem chamado atenção das principais antenas musicais do mundo todo, e me chegou as mãos por indicação de um amigo, que me mandou o link de 1901. Como não se render aquele piano e como não ir atrás do disco homônimo só para descobrir outras preciosidades tão boas quanto Shelter ou Comforting Sounds (talvez a música mais profunda que eu ouvi esse ano)?
Da lista de discos que tenho ouvido no momento, de modo viciante, só um fica de fora dessa lógica. É o elogiado e aguardado Old Ideias de Leonard Cohen, que eu “corri atrás” não por ter ouvido uma primeira música extremamente sedutora, mas por ter lido, uma atrás da outra, uma dúzia de críticas positivas sobre o álbum. E devo dizer, fazem juz a toda a expectativa que construíram em cima dele. Mas talvez seja melhor deixar o disco de Cohen para um outro momento mais propício. Por ora, vale apresenta-los a genialidade de Ingrid Michaelson, Gotye e Birdy. E talvez apenas essas boas músicas sejam o rastro capaz de instiga-los a buscar mais sobre esses artistas fascinantes menos radiofônicos.

barack obama!

domingo, 20 de maio de 2012 - Postado por Paulo Veras às 03:20


Barack Hussein Obama II tem 50 anos e é um símbolo da juventude. Negro, Obama é filho de uma antropóloga americana com um economista queniano, nasceu em Honolulu no Havaí, se graduou em Ciências Políticas na Universidade de Colúmbia e em Direito em Harvard. Em 2005, foi eleito senador pelo Estado de Illinois, o único congressista negro de sua legislatura. Dois anos depois, lançou sua candidatura nas primárias democratas na esperança de ser o segundo colocado e ganhar a vaga de vice nas eleições de 2008. Ao contrário do que era esperado por todos, Barack Obama acabou se destacando durante a campanha, venceu a companheira Hilary Clinton nas prévias democratas e acabou sendo eleito o primeiro presidente negro dos Estados Unidos. Um ano depois, recebeu o Nobel da Paz.
Sim, Barack Obama é um político; e é claro que todos os que deram início a essa leitura já sabiam disso. Porém, mais que isso, Barack Obama é um fenômeno pop. Aliás, é um fenômeno pop que vai muito além da esfera política e foi isso que permitiu a ele se tornar o 44º presidente da maior nação do planeta. Foi o fato de ele ser o presidente mais votado dos Estados Unidos e o líder americano mais bem visto no resto do mundo desde John Kennedy (a família, aliás, o apoio na campanha contra os Clinton), que ele recebeu o Nobel da Paz.
Não é difícil imaginar como ele chegou ao poder se você considerar que o histórico americano favorece a alternância de poder entre os dois partidos nacionais e que o governo anterior de George W Bush terminava somando um grande desastre econômico ao fracasso militar de manter duas guerras no Oriente Médio. Obama era o anti-Bush, o líder carismático e popular, multi-étnico, anti-militarista e intelectual. O símbolo do político cosmopolita. Como se fosse pouco, demonstrou uma capacidade única de renovação, ao fazer uma campanha totalmente moderna, onde um dos marcos era o cantor pop Will.I.Am e que criou um jargão poderoso como “Yes, we can”. Obama se tornou o homem a canalizar as esperanças de um mundo melhor.
Em parte, se deve a isso a capa da Newsweek que eu postei aqui na quarta-feira passada. Quando Obama declarou apoio ao casamento gay, ele se tornou o “primeiro presidente gay” do país, numa alusão ao fato de ele ser o primeiro negro a comandar a Casa Branca. Ele não é gay, mas acaba de se tornar um ícone tão poderoso para a comunidade gay quanto é pra comunidade negra. E às vésperas de uma campanha eleitoral vai mostrando que apesar de pertencer ao estabelichment (e de não ter feito metade das mágicas que se esperava dele quando assumiu o governo), ele ainda é um símbolo do que há de melhor na democracia americana.
Podem aguardar que daqui pra o fim do ano, quando os americanos devem escolher o presidente que os comandará pelos próximos quatro anos, o nome de Barack Obama vai voltar a mídia e vamos ter uma outra aula de como a política pode ser revolucionária. Estou, é claro, aproveitando a publicidade da Newsweek para passar uma lição aos leitores desse espaço. De que a política pode ser mais que velhos retrógrados que estão confabulando para roubar o dinheiro alheio. Ela pode ser feita de sonhos de fazer do mundo um lugar melhor tão poderosos que atravessem todos os aspectos da nossa vida e se tornem um fenômeno cultural (algo parecido com o que o ex-presidente Lula conseguiu construir em 2003). Sim, nós podemos.

provocação #9!

quarta-feira, 16 de maio de 2012 - Postado por Paulo Veras às 01:25

Hoje é quarta-feira, mas hoje não tem texto. Diante da correria do dia-a-dia, infelizmente não vou ter tempo de discorrer aqui sobre um assunto interessante a respeito da nossa discussão sobre cultura pop. Mas, só para mostrar que não me esqueci de vocês, e que no domingo nossa programação retorna ao normal, estou retomando a seção de provocações. A dessa quarta, que indica o assunto a ser tratado aqui no próximo domingo, começa exatamente com a imagem acima.
Caso você ainda não tenha ouvido falar, a edição dessa semana da revista Newsweek tem uma foto do presidente americano Barack Obama sobre a chamada “O primeiro presidente gay”. No último dia 9, o presidente americano declarou ser a favor do casamento homossexual. Como reza o nosso trato, retomo o assunto no próximo domingo. Então, até lá.

justin bieber!

domingo, 13 de maio de 2012 - Postado por Paulo Veras às 00:24


Eu não esqueci que tinha prometido comentar o novo clipe de Justin Bieber aqui, ao contrário do que você está pensando. Eu só dei um tempo a mim mesmo pra poder me refazer após a decepção que foi Boyfriend. Mas já era hora que retomar esse assunto aqui. Mas, para falar o quanto foi frustrante finalmente poder assistir a Boyfriend na semana passada, eu tenho que reconstruir o percurso que transformou esse num (se não o) vídeo-clipe mais esperado de 2012. Sim, é público e notório que Bieber tem um grande número de fãs. Meu ponto é que isso não é o suficiente pra tornar nenhum produto dele o mais aguardado do ano, esse tipo de fenômeno só ocorre na Cultura Pop quando você consegue ultrapassar todas as fronteiras e fazer o consumidor médio aguardar por um lançamento seu.
Como Bieber conseguiu? Depois de seu incipiente disco de natal, eu também me sentiria compelido a fazer essa pergunta. A verdade é que desde aquela época a equipe do rapaz já batalhava por tentar preparar o público pra o que seria uma reviravolta em sua carreira. Depois de fazer mais que mais do mesmo em dois álbuns que tem o mesmo nome e fizeram o sucesso pueril de muita adolescente mundo a fora entre 2009 e 2010 (parece que no mundo pop atual um ano é considerado muito tempo), Justin completaria 18 anos e lançaria o que seria o primeiro disco de sua “fase adulta”, Believe. Boyfriend é justamente o single de apresentação de Believe – e não se preocupe com a confusão mental, a ideia de tanto “B” é justamente impregnar Justin Bieber na mente da humanidade.
Se você aí parou pra pensar em Off The Wall, não foi o primeiro. Não é de hoje que comparam Justin com Michael Jackson, ambos artistas precoces, embora haja um pouco de precipitação quando a mídia americana começou a chama-lo de o novo Michael apenas alguns meses após o original falecer. Mas foi o personagem ideal para a equipe de Bieber se mirar quando decidiram adotar a estratégia de transformá-lo no maior cantor masculino da atualidade.
Não estou exagerando. Vejam, sou da teoria de que existe uma espécie de pódio em cada era que é ocupado por um artista ou por uma artista, que faz dele ou dela o maior artista de seu gênero em sua época. Não são necessariamente os melhores de seu tempo, ou não quer dizer que eles estejam todos no mesmo patamar. Só quer dizer que em sua época eles são implacáveis. Dentre as mulheres temos uma linhagem da qual fizeram parte Cindy Lauper, Madonna, Britney Spears e Lady Gaga. A lista dos homens tem Elvis Presley, John Lennon e o próprio Michael. Há alguns anos, como eu comentei no texto das boybands, outro Justin (o Timberlake) se encaminhava para esse posto. Mas por algum motivo, ele decidiu dar uma guinada na sua carreira e parou de cantar.
Bieber é claro, não perdeu tempo. Aproveitou que Boyfriend é simplesmente o melhor single da carreira dele (preciso dizer o quanto a sonoridade da música nova supera Baby?) e tratou de brigar pelo primeiro lugar do pódio. Ele partia, é claro, de uma ótima plataforma. Bieber é amplamente conhecido e está no momento exato pra tentar alguma coisa nova na carreira. Boyfriend tem uma pegada que lembra bastante o estilo de Timberlake, e ele tratou de anunciar que o novo clipe seria inspirado em Elvis e Michael (dois dos maiores entre os maiores). Em um dos teasers – todos fantásticos e animadores, por sinal – Bieber assume uma das famosas coreografias de Jackson.
Foi esse caminho que gerou tanta expectativa em cima de Boyfriend. O lançamento aconteceria em cadeia nacional durante o The Voice (na época em que ele e Adam Lambert ainda brincavam de Supergroup), o que chamou ainda mais atenção da mídia. O primeiro sinal de desgaste, porém, veio quando o lançamento no The Voice foi cancelado pra que novas cenas externas fossem filmadas. Todos os teasers (que, eu repito, eram inspiradores) foram gravados em estúdio. Depois de ser adiado mais de uma vez, Boyfriend chegou no Youtube no dia 03 sem ser nada daquilo que era esperado.
Não se sabe o porque, a equipe de Bieber resolveu mudar toda a temática do clipe. Para justificar as cenas do teaser, foi feita uma breve introdução no início do clipe onde, aleatoriamente e completamente sem sentido, duas garotas veem um trecho do que seria o estimulante clipe original. O resto, além de não ser tão interessante (ou original, como se tira por – vejam só –  Girlfriend do N’Sync, justamente a boyband de origiem de Justin Timberlake, aqui), não passa de ser uma versão teenager de Velozes e Furiosos que insiste em apresentar justamente os mesmos clichês infantis que sempre permearam a carreira de Bieber.
O resultado, claro, é que não só ele decepcionou naquela que poderia ser sua obra-prima, como só reforçou a ideia de que é um cantor juvenil que precisa trabalhar muito para alcançar os patamares que figuras como Lennon e Elvis já ocuparam. Há 33 anos, quando Michael lançou Off The Wall, ele criou o parâmetro pelo qual pautaria todo o resto de sua obra. Se depender de Believe e de seu melhor single Boyfriend, Justin Bieber deve ser só mais um que quase chegou lá...